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11:22 Dom
17/12/2017
SUSPEITA CONTRA LULA

'nus da prova de quem acusa', diz presidente

Dilma ficou irritada ao ser questionada se a 22 fase da Lava-Jato, deflagrada ontem, se aproxima de Lula

A presidente Dilma Rousseff (PT) disse ontem que não há provas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 22ª fase da Operação Lava-Jato e criticou "insinuações" contidas nos vazamentos da investigação. Dilma ficou irritada quando questionada se a operação estava se aproximando de Lula e disse que o ônus da prova cabe a quem acusa.

Ao ser perguntada se o ex-presidente seria o alvo da Polícia Federal, Dilma fechou o semblante. "Eu me recuso a responder pergunta desse tipo porque se levantam acusações, insinuações e não me dizem por que, quando, como, onde e a troco do quê", afirmou em Quito, após discursar na 4ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Ela disse achar "extremamente incorreto" esse tipo de vazamento das investigações e citou até os ideais da Revolução Francesa para dizer que o ônus da prova cabe a quem acusa. "Quem prova - acho que foi a partir da Revolução Francesa, se não me engano, foi com Napoleão - a culpabilidade, ao contrário do mundo medieval, o ônus da prova é de quem acusa".

Para a presidente, o inquérito e as investigações existem para apurar os fatos, e não para vazar informações ainda sob análise.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classificou como "especulações absolutamente indevidas" as informações de que Lula é alvo e disse que, até então, não recebeu informação de que Lula está sendo investigado na Operação Triplo X.

A 22ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada ontem, vai apurar a relação do ex-presidente Lula com um apartamento triplex na praia de Astúrias, em Guarujá (SP), cuja opção de compra pertencia à mulher dele, Marisa Letícia, e hoje está em nome da empreiteira OAS.

O objetivo da força-tarefa é descobrir se a OAS, acusada de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, buscou beneficiar ilegalmente o ex-presidente por meio do imóvel. É a primeira vez que a operação investiga um negócio diretamente ligado ao ex-presidente e seus parentes. A mulher de Lula adquiriu a opção de compra do imóvel em 2005 por meio da cooperativa habitacional Bancoop, a antiga titular do prédio.

Após a deflagração da nova etapa da Lava-Jato, Lula reproduziu ontem, nas redes sociais, trecho de uma entrevista na qual disse que gosta de ser provocado. "Você sabe que eu gosto de ser provocado. Nas pesquisas todas, embora o PT tenha caído de prestígio na sociedade, nenhum deles (os outros partidos) ganhou. As pessoas estão esperando um gesto do PT", diz.

Oposição

Para o líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR), a nova etapa da Lava-Jato fecha o cerco contra o ex-presidente Lula. Em nota, o parlamentar diz que, neste cenário, resta ao petista elevar a retórica para atacar os investigadores.

Segundo ele, a ação de ontem "mostra que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal não se intimidaram".

Procuradores da Lava-Jato afirmaram que todos os apartamentos do condomínio Solaris, em Guarujá (SP), são alvo de investigação sobre um esquema de offshores criadas para enviar ao exterior dinheiro desviado da Petrobras. Entre os imóveis sob investigação está um triplex da OAS que foi reservado a Lula.

Em nota, o Instituto Lula afirmou que o ex-presidente e sua mulher, Marisa Letícia, jamais ocultaram que ela possui cota do empreendimento no Guarujá adquirida da Bancoop e declarada à Receita Federal. (Diário do Nordeste)

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